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03/04/07 - A triste trajetória do Rio Carapitanga
por Flávia Martins – repórter comunitária
Em conversa com dois habitantes mais velhos da região sul de Parati, foi possível reconstituir um pouco da importância do Rio Carapitangae da triste história que marca seu curso atual. O Carapitanga nasce no morro do Papagaio, hoje conhecido como Forquilha, passa por nove comunidades e deságua na praia de Parati Mirim. No passado, ele teve diferentes usos na vida cotidiana como a pesca, o banho, lavagem de roupas e louças, entre outros. "Ajudou muito na sobrevivência de muitas famílias", disse o griô Gabriel Bispo dos Santos, do Quilombo Campinho da Independência.
Com a chegada da estrada Rio-Santos teve início uma série de problemas para as comunidades, como desmatamento das matas ciliares e a proliferação de construções. Como resultado, o rio, veio a ser assoreado, ou seja, seu volume de água diminuiu bastante. "Antes o rio custava a esvaziar. Hoje, devido à deterioração de suas margens, ele não dura tanto tempo cheio", atesta o griô Gabriel. Ele conta que havia muita pesca antigamente e era uma forma de sustento. "A gente saía à noite para pescar e chegava na madrugada com o balde cheio de peixe. Hoje já não encontra mais tanto peixe como cascudo e a piaba.
Desilusão
A visão dos griôs da comunidade revela a desilusão com a situação atual: "Uma coisa eu confirmo: o Rio Carapitanta nunca mas volta ao que era antes. Isso eu lhe garanto, Ele nunca volta como antigamente e será dai para pior." Motivos para essa descrença não faltam. "O lugar que antes pescava, que era poço, hoje passo com a água pela canela. Quando passava pela cachoeira das Carneiras, o barulho era tão forte se alguém falasse não dava para escutar. Hoje quando se passa por ela da para escutar porque a água já está acabando."
Gabriel Bispo dos Santos contou ainda sobre o local onde o rio nasce: "Se formos na nascente, o que vemos é de se comparar com um ninho de passarinho, de tão pequeno que é, Já brinquei, pesquei, tomei banho quantas vezes neste rio, para hoje ver desse jeito. É muito triste."
Outro habitante mais velho da região que testemunhou essa mudança foi o cacique Miguel da aldeia do Parati Mirim, cujo nome indígena é Karai Tataty. Apesar de concordar que a situação está bastante ruim, o cacique acredita que é possível uma mudança. "Eu gostaria que houvesse alguma ONG que se organizasse de alguma forma para ajudar a resolver a questão do Rio Carapitanga."
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