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07/07/2007 - Saberes tradicionais do Cairuçu ganham praça da FLIP
Enquanto enchia copinhos com a saborosa farofa preparada para os turistas, o repórter comunitário Lucas (morador do Patrimônio, em Trindade), também explicava aos curiosos como se transforma a mandioca em farinha. Na praça da Matriz, durante a FLIP 2007, a comunidade do Quilombo do Campinho reproduziu o tacho de cozimento da farinha e uma típica casa caiçara, de pau-a-pique, fielmente construída no estilo tradicional que ainda sobrevive no Quilombo.
Os saberes da região do Cairuçu foram expostos em variados momentos de celebração e troca, como nas apresentações das escolas de Ponta Negra, Praia do Sono ou Patrimônio, na peça encenada pelo Grupo de Teatro da Vila do Oratório na tenda da Flipinha, e em oficinas organizadas no Arte na Praça, em 6/7, que ensinaram até a construir barcos de madeira como o dos pescadores, distribuídos pela comunidade do Mamanguá para serem pintados pelos visitantes.
Com coordenação do professor Cláudio Aquino, alunos das escolas da costa de Parati elaboraram um Glossário Paratiense, cuja riqueza lingüística provém em grande parte da Ponta Negra. São dezenas de palavras como anhangá (diabo), arataca (armadilha de caça) e cuí (pó da farinha). A pesquisa levantou ainda nomes topográficos e seus significados, como o da Ponta da Joatinga (ponta de fruto branco e espinhoso) e da praia do Jabaquara (de refúgio de 'fujões).
"Conseguimos que a Associação Cairuçu trouxesse as comunidades costeiras, pois o momento de troca fortifica conhecimentos ainda vivos ali, como o dos cercos de pesca, das cirandas, da casa de farinha. Há também um trabalho prévio de pesquisa sobre os bens imateriais das comunidades, esses saberes intangíveis", ressaltou uma das coordenadoras do Programa Educativo Cirandas da FLIP, da Associação Casa Azul, Cynthia Vieira.
Na área da Flipinha, dedicada a crianças, jovens e exposição de artistas e artesãos, foram mais de 60 apresentações e 39 oficinas no Arte na Praça. Os livros pendurados nas árvores, os 'pés de livros', receberam um incremento especial com a doação de mais de 8 mil publicações para o acervo da Biblioteca Azul, também da Associação.
Desde 2004, a Associação Casa Azul trabalha o incentivo à leitura, numa série de ações dentro do Programa Educativo, como a Biblioteca que facilita o acesso ao livro levado às comunidades mais remotas e a Formação de Contadores de Histórias para atuação nas escolas durante o ano todo. Em 2007, o programa avança com projetos de educação artística e educação patrimonial – ensino incipiente no Brasil para a preservação de nossos bens materiais e imateriais. "Esse patrimônio não está só no calçamento e nas casas centenárias de Paraty, mas no saber tocar ciranda e fazer farinha. No trabalho com as crianças, há uma mudança na auto-estima para as riquezas e formas de expressão cultural de sua região, quando vêem que não estão só numa cidade pequena...", vai resgatando Cynthia.
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