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09/08/2007 - Escolas do Patrimônio e Campinho integram currículo à realidade local
Os desafios do ensino rural de Parati – fora dos limites da cidade - incluem as mesmas problemáticas enfrentadas pelo público escolar das mais diversas partes do país: ensino fundamental chegando só até a 4ª série, transporte precário para comunidades mais isoladas, evasão escolar, entre outros. No Cairuçu, o cenário da educação não é diferente, com jornadas escolares de três horas e taxas de reprovação de até 34% na 1ª série (média para toda região rural).
Apesar da taxa de analfabetismo de quase 13% entre a população acima de 15 anos nessa região, aspectos particulares do Cairuçu viram oportunidade para uma educação diferenciada. As comunidades possuem forte tradição oral, o que apesar da baixa escolaridade permite ações fora da sala de aula ligadas ao 'saber fazer', e há marcante interdependência entre a escola e a vida comunitária, com potências culturais próprias.
A busca pela melhoria da qualidade da educação tem implicado num olhar cuidadoso para os desafios de cada realidade, por meio dos encontros da Aliança pela Educação - iniciativa da Associação Cairuçu. Neles, reforçou-se, por exemplo, o quanto a Escola Municipal do Campinho é um pólo para crianças de outras comunidades mas o quanto o horário das aulas está 'preso' ao transporte ofertado pelo poder público. No bairro do Patrimônio, apurou-se a necessidade de ensino multisseriado e a mesma problemática do transporte atrelado às aulas.
Mas o esforço de professores para valorização do ambiente e da cultura locais integrados ao currículo já aponta caminhos para melhoria da educação escolar. No Patrimônio, por exemplo, as aulas costumam abordar a natureza do Cairuçu, onde o simples estudo das árvores pode servir ao ensino da matemática, ciências e português. No Campinho, busca-se o constante resgate étnico da cultura negra, conforme as próprias professoras estão comprometidas com a luta dos quilombolas por reconhecimento.
Na linha de frente do contato com crianças e jovens, quem trabalha direto na sala de aula assume a difícil missão de transformação da realidade sócio-educativa – são nomes como Janeth, Isabel, Lucinda e Valéria, professoras do Patrimônio que atendem 146 alunos, e Maria Benedita, Maria Aparecida, Marta França, Leila, Marli, Neiva e Leila, professoras do Campinho responsáveis por 170 alunos. Números animadores também mostram que a quase totalidade das crianças e jovens do Campinho e de Trindade tem como local de estudo sua própria comunidade, ao invés de outra ou de Parati.
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